Eduardo Ferreira
(ferreiraedu@terra.com.br)

1920 - JOGOS OLÍMPICOS DE ANTUÉRPIA

1. Cerimônia de Abertura
Para que não paire dúvidas sobre o artigo publicado no site da CBTE, intitulado “Afrânio Costa – um herói quase esquecido”, onde está registrado que a fonte foi o Jornal de São Paulo, cabe uma correção baseada nos documentos e fotos do próprio Afrânio, que estão contidos no livro SONHO E CONQUISTA, editado pelo COB em 2004.

Convém lembrar que a cidade de Antuérpia foi escolhida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) para sediar os VII Jogos Olímpicos, devido à resistência heróica que os habitantes daquela cidade portuária ofereceram às tropas alemãs durante a ocupação do território belga. Na invasão da Bélgica as tropas germânicas destruíram as instalações militares, inclusive o estande de tiro, razão pela qual as provas de tiro foram disputadas “em campo aberto...”, no Campo de Manobra Militar de Beverloo.

A Cerimônia de Abertura foi presidida pelo Rei Alberto I da Bélgica e contou com a presença do criador dos Jogos Olímpicos – Barão Pierre du Coubertin e do Presidente do COI - Henri de Baillet-Latour . Apesar do pouco tempo que dispunha para o início dos Jogos e devido aos grandes gastos com a I Guerra Mundial, o Rei Alberto construiu um estádio especialmente para a Cerimônia de Abertura e as provas de atletismo.

Na Cerimônia de Abertura a delegação brasileira desfilou no estádio, tendo logo atrás do portador da placa dos países, com o nome do Brasil escrito em francês, o chefe da delegação Roberto Trompowsky e o capitão da delegação de tiro Dr. Afrânio Costa, também atirador da equipe. Imediatamente atrás, como pode ser visto na fotografia do livro editado pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), três oficiais do Exército Brasileiro marchando garbosamente. Mais atrás vinham os atletas do tiro, remo, pólo aquático e natação.

Ao contrário do que afirma o site da CBTE, é o tenente Guilherme Paraense que conduz a Bandeira Nacional no desfile de Abertura dos Jogos e não o Dr. Afrânio Costa. Paraense desfilou ladeado pelos tenentes Demerval Peixoto e Mário Maurity.(foto 01)

2. Diretor de Tiro do Fluminense
O Dr. Afrânio Costa, nomeado diretor de tiro do Fluminense pelo Presidente Arnaldo Guinle, foi o responsável pela construção do primeiro estande do Fluminense, em 03 de agosto de 1919, próximo ao ginásio e onde se situam as atuais quadras desportivas e o bar da piscina. Mais tarde, em 1934 construiria o segundo e atual estande de tiro, com recursos arrecadados pelos próprios atiradores.

Apesar da amizade e do respeito que sempre lhe foi dedicado pelos inúmeros presidentes do clube e devido às suas nobres funções públicas e com a difícil tarefa de chefiar a Federação Brasileira de Tiro (FBT) e mais tarde a Confederação Brasileira de Tiro (CBTA), nunca se candidatou ou ocupou a função de presidente do Fluminense, sempre exercendo o cargo de diretor de tiro, preocupando-se com a sua paixão maior – o Tiro.

Relação dos Presidentes do Fluminense Football Club, em anexo, extraída do site do Clube.

1- Oscar Cox - Presidente fundador aos 22 anos (21/07/1902 a 1904)
2- Francis Walter (1904 a 1908)
3- Antônio Vaz Carvalho (1908 a 1910)
4- Antônio Cavalcante (1910 a 1912)
5- Carlos Guinle (1912)
6- Guilherme Guinle (23/12/1912 a 29/07/1913)
7- Felix Frias (11/09/1913 a 26/12/1913)
8- Carlos Guinle (26/12/1913 a 26/04/1914)
9- Cunha Freire (16/04/1914)
10- Arnaldo Guinle (1916 a 1931 e 1943 a 1945)
11- Oscar Costa (1931 a 1936)
12- Alaor Prata (1936 a 1940)
13- Marco Pólo (1940 a 1941)
14- Marcos Carneiro de Mendonça (1941 a 1943)
15- Manoel de Moraes Barros Netto (1946 a 1949)
16- Fábio Carneiro de Mendonça (1949 a 1952)
17- Antônio Leite (1953 a 1954)
18- Jorge Freitas (1955 a 1956)
19- Jorge Frias de Paula (1957 a 1962 e 1972 a 1974)
20- Nelson Vaz Moreira (1963 a 1965)
21- Luiz Murgel (1966 a 1968)
22- Francisco Laport (1969 a 1971)
23- Francisco Horta (1975 a 1977)
24- Silvio Vasconcellos (1978 a 1980)
25- Sylvio Kelly dos Santos (1981 a 1983)
26- Manoel Schwartz (1984 e 1986)
27- Fábio Egypto (1987 a 1988)
28- Ângelo Chaves (1989 a 1992)
29- - Arnaldo Santiago (1993 a 1995)
30- Gil Carneiro de Mendonça (1996)
31 - Álvaro Barcelos (1997)
32 - David Fischel (1999 a 2004)
33 - Roberto Horcades Figueira (desde 2005)

3. Dr. Afrânio Costa – um herói quase esquecido
Neste item, o Jornal Folha de São Paulo acertou plenamente, pois Dr. Afrânio Antônio da Costa foi o primeiro medalhista olímpico brasileiro, conquistando a medalha de prata na prova de pistola livre, além de receber a medalha de bronze por equipe naquela modalidade. A prova de pistola livre transcorreu um dia antes da prova de revólver, onde Paraense obteve o ouro com o revólver conseguido junto aos americanos, através do capitão da equipe brasileira – Dr. Afrânio (foto 2 – dois medalhistas).

Não obstante a sua participação marcante na História do Tiro Brasileiro como destacado atleta e insigne dirigente, foi também um personagem que muito dignificou o esporte olímpico brasileiro. No entanto, ao se dar o nome do novo estande da Vila Militar (CNTE) de Tenente Guilherme Paraense, não foi observado ou foi esquecido o fato, que em 1989 o Exército Brasileiro, por intermédio do antigo Ministro do Exército e atirador tricolor - General Leônidas Pires Gonçalves, prestando uma justa homenagem ao Tenente Paraense, deu ao moderno polígono da AMAN o nome Polígono de Tiro Tenente Guilherme Paraense. Perdeu-se, assim, uma ótima oportunidade de se homenagear um dos heróis olímpicos e o maior ícone do Tiro Esportivo Brasileiro – Dr. Afrânio Antônio da Costa.




Foto 01 – pág 20 do Livro do COB – Sonho e Conquista - 2004

 


Foto 02 – Afrânio (esquerda) e Paraense (direita)
pág 116 do Livro História do Tiro ao Alvo


por Eduardo Ferreira
Recordista e campeão brasileiro de armas longas da CBTE e das Forças Armadas. Ex vice-presidente da CBTE e da federação do DF, ex presidente das federações do RJ e CE, e diretor das federações da PB e RS. Autor de "Arma Longa" e "História do Tiro"
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